quinta-feira, 13 de junho de 2024

Descarbonização da frota pode trazer investimentos de R$ 150 bi ao país

Potencial de investimentos dependerá de decisões de políticas públicas sobre eletrificação e incentivo uso de energias renováveis.
Descarbonização da frota
Descarbonização da frota depende de uma série de medidas

Um estudo encomendado pela Anfavea, associação dos principais fabricantes de carros do país, aponta que o Brasil tem potencial de investimentos de R$ 150 bilhões nos próximos anos apenas para a descarbonização da frota, ou seja, em eletrificação e uso de energias renováveis.

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Este é o valor total máximo de investimentos e inclui tanto produção de modelos quanto a infraestrutura necessária. Seria o melhor dos cenários, aquele em que há incentivos governamentais, com políticas públicas voltadas, de fato, para a descarbonização. Mas para chegar lá há um bom caminho a se percorrer (veja abaixo).

Descarbonização da frota: momento é agora

O estudo da Anfavea sai ao mesmo tempo em que o mundo aperta o cerco contra as mudanças climáticas. Esta semana a ONU apresentou um relatório sobre o clima nada animador. Até 2050, a temperatura do planeta irá aumentar, não importa o que seja feito agora. Os impactos também serão sentidos aqui no país, com eventos extremos frequentes.

O relatório da ONU também trouxe um alento. Ainda não atingimos um ponto sem volta na emissão de carbono. Ou seja, é possível reverter essa situação e salvar o planeta se agirmos agora.



Como o Brasil pode ajudar e recuperar o atraso? Uma das possíveis saídas é fazer uma transição. Empresas de todos os setores devem começar o quanto antes a mudar procedimentos e a reduzir suas emissões. Muitas já fazem, como a Ambev, que apresentou meta de reduzir suas emissões em 25% até 2025, ou a JBS, que anunciou a intenção de zerar suas emissões até 2040.

Com o mercado automotivo não é diferente. Este é um setor que historicamente é tratado de vilão, por trabalhar por décadas com uma matriz puramente poluidora. Mas, ao mesmo tempo, possui um potencial econômico gigantesco, com possibilidade de lucros também por décadas, com a transformação para a eletrificação.

De onde vem o investimento

Tudo depende do caminho a ser escolhido, mas o potencial de investimentos é praticamente todo privado e inclui a produção nacional de veículos híbridos e elétricos (tanto de modelos leves ou pesados), construção de fábricas de baterias e semicondutores.

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Outro potencial anima setores já instalados no país: os produtores de biocombustíveis. É que o etanol também faz parte do rol de descarbonização, não só como ele é agora, mas também no uso em células de hidrogênio, que deve levar uma fatia do mercado futuro, ainda que muito menor do que o baseado em baterias de lítio.

Descarbonização da frota: Cenários

O estudo da Anfavea mostra que existem 3 cenários possíveis para o Brasil na próxima década e meia.

No pior, onde não há nenhum incentivo governamental, o mercado entraria em inércia, ou seja, seria empurrado por um movimento já global e inevitável. Neste caso, chegaríamos a 2035 com apenas 32% das vendas de veículos leve e 14% de caminhões e ônibus elétricos ou similares. Os modelos flex e a diesel continuariam seu domínio, ainda que menor.

O segundo cenário, de convergência global, colocaria o país em níveis europeus, com amplo fomento para a eletrificação. Atingiríamos em 2035 os mesmos níveis da Europa de 2030, com 62% das vendas anuais partidos de modelos não poluentes.

O terceiro cenário seria um fomento maior para os biocombustíveis, com foco no etanol. Seria um cenário de menores investimentos e menor queda de emissões, com 30% de redução, contra 39% do segundo cenário e 37% do primeiro.

A posse de bola está com os governantes

Para que os investimentos sejam aplicados pelo setor privado, tudo irá depender da ação do governo. E não deste ou daquele governo, mas sim de uma política de estado.

Exemplos não faltam. A Europa já demonstrou os possíveis caminhos, indicando que os governos possuem capacidade de alterar o destino. E isso não apenas com incentivos e renúncias fiscais, mas também com leis que imponham metas e prazos. Depender apenas da vontade empresarial, infelizmente não será suficiente. O planeta tem pressa.

Confira aqui o estudo completo da Anfavea.

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