sexta-feira, 12 de abril de 2024

O carro elétrico é o grande vencedor do mundo pós Brexit

Por causa das novas regras para produção e comercialização de carros na Europa, é provável que massificação do carro elétrico seja adiantada em quase uma década.

Foi no apagar das luzes, quase no fim do prazo, que União Europeia e Reino Unido – agora tratados de forma separada – conseguiram formalizar o Brexit. Um dos principais entraves para o acordo foi o setor da indústria automobilística e sua complexidade histórica no continente europeu.

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Ao longo das décadas, a indústria de carros criou tentáculos em vários países do continente. Alguns exemplos práticos: 60% dos componentes de carros usados na indústria britânica vêm da União Europeia. 80% dos veículos fabricados em solo britânico são comprados por países da UE. A Renault-Nissan, franco-japonesa, possui uma grande fábrica em Sunderland, Inglaterra. O Grupo PSA, francês, é dona da Vauxhall, inglesa.

São muitos os exemplos. O grupo BMW, alemão, fabrica a maioria dos Mini na Inglaterra. Mesmo para quem nem fabrica carros em solo britânico a relação é íntima. A espanhola Seat confia nos ingleses o seu terceiro maior mercado, atrás apenas da Alemanha e da própria Espanha. Os britânicos só compram menos Mercedes-Benz do que chineses, americanos e alemães.

Esse complexo emaranhado que se tornou a indústria automobilística europeia atrasou o acordo pela saída do Reino Unido da União Europeia e só saiu do papel após outra complexa costura na lei.



A regra de origem

Ficou definido que todos os modelos lançados terão que seguir a chamada regra de origem. Em síntese, todo carro terá de ter pelo menos 55% de peças locais para poder ser comercializado sem taxas entre RU e UE. Se um carro tiver 54% de componentes locais ou menos, pagará sobretaxa de 10%, neste caso uma medida vital para um esfriamento nas vendas.

Os britânicos comemoraram a medida, pois no início das negociações correram sérios riscos de terem seus modelos taxados não importasse a quantidade de peças locais, sem contar uma possível regulação por cotas, descartada ao fim das negociações. Mas ainda é um ponto a se trabalhar, pois, como dito no começo da reportagem, a maior parte dos componentes da indústria nacional vem de fora da ilha da Grã-Bretanha. Além da UE, a Turquia é quem mais abastece com peças o mercado do RU.

A mudança vale para os dois lados, portanto a União Europeia também terá que ter pelo menos 55% de peças locais. Mas há uma vantagem evidente. Vale a regra do bloco, que uniformiza todo o território em um só. Em outras palavras, um Volkswagen fabricado na Alemanha com 20% de peças alemãs, mas outros 35% de peças francesas ou de outros países do bloco europeu já se enquadrará na nova regra.

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Haverá uma nova acomodação na indústria, com reflexos ainda não muito claros de quem sairá ganhando ou perdendo em vendas. Mas uma coisa é certa. O elétrico sairá ganhando.

Exceção para o elétrico

O Reino Unido conseguiu comprovar nas negociações que não conseguiria se adequar as regras do 55% de peças locais para os carros elétricos. Até mesmo para a União Europeia seria difícil, já que todas as baterias são importadas a menor custo de países asiáticos e, querendo ou não, as baterias representam uma boa porcentagem de um carro elétrico. E não é da noite para o dia que você constrói fábricas de baterias.

Assim, ficou definido que a regra de origem não vale plenamente para os veículos elétricos neste primeiro momento. Até 2023 o conteúdo local deverá ser de apenas 40%, de 45% em 2024, 50% em 2026 até chegar aos 55% em 2027. Serão 6 anos para se adaptar ou seja, 6 anos de investimentos em carros elétricos, incluindo fábricas de baterias em solo europeu.

Como o Reino Unido tem como meta proibir a venda de veículos a gasolina e diesel em 2035, o plano de eletrificação massiva já estava em curso. Agora, com a nova meta de peças locais para elétricos até 2027, é provável que todos os aportes da indústria automobilística sejam direcionados para os carros elétricos. Em outras palavras, é certo dizer que o Brexit irá adiantar em quase uma década a massificação sem retorno dos carros elétricos.

Publicada originalmente em

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