sexta-feira, 12 de abril de 2024

Os maiores fracassos da indústria automotiva

As grandes montadoras sentem orgulho dos modelos de sucesso, que conquistaram gerações e que venderam e ainda vendem como água. Fazer um carro de sucesso é o ponto alto de uma empresa automotiva. Mas e quando ocorre o contrário e o modelo pensado por tantas pessoas e montado cuidadosamente nas linhas de produção é um grande fracasso? Varre pra debaixo do tapete? O Turboway levantou este tapete e mostra agora o que para muitas empresas é motivo de vergonha… Conheça os maiores fracassos da indústria automotiva.

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Pontiac Aztek – 2000

Pra começar, um modelo americano. No papel, o Pontiac Aztek tinha tudo para ser um hit: era um SUV médio mas com muito espaço interno, tinha um motor potente e mesmo assim muito econômico, numa época em que os americanos estavam começando a se preocupar com o consumo, sem deixar o tamanho de lado. Seria um best-seller para a montadora, não fosse algo importante: o carro era muito feio!

O designer Wayne Cherry mandou mal e criou um carro com linhas duvidosas. Aproveitando o nome do criador, a cerejinha do bolo foi a dianteira bipartida. O péssimo design refletiu nas vendas. A GM, dona da Pontiac, colocou como meta vender 30 mil Azteks por ano para o projeto se manter sustentável, mas o máximo que ele conseguiu foi 27.793 compradores em 2002.

Saiu de cena em 2007, mas virou uma espécie de cult, ao aparecer na série Breaking Bad, como o carro do protagonista Walter White.




Plymouth Prowler – 1997

Outro exemplo de design duvidoso. Já mostramos que o Plymouth Prowler é um dos carros mais estranhos já feitos pela indústria automotiva. Unia o design hot rod do passado com equipamentos do presente.

Mas aqui não foi só um problema de aparência. O modelo vinha com um motor considerado fraco quem queria brigar nas vendas com o Dodge Viper: um V6 de 3.5 litros, de 214 cavalos e câmbio automático de quatro marchas. Sem o esperado V8, as vendas naufragaram, chegando a 11.702 unidades no total. A Plymouth morreu junto com o carro, em 2001.


Classe A – 1997

Agora um modelo que frequentou o Brasil e que possui muitos fãs. A Mercedes lançou em 1997 um monovolume de entrada, com preços acessíveis embora recheado de equipamentos, como um bom Mercedes. Mesmo sem empolgar o mercado na Europa, a montadora alemã decidiu ousar e, não só lançar o carro no Brasil, como fabricá-lo por aqui.

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Investindo pesado em propaganda e também na planta de Juiz de Fora-MG, o primeiro Mercedes-Benz nacional nasceu em 1999, custando R$ 33 mil, mais que um Corolla da época, na casa dos R$ 29 mil. A alta do dólar no início dos anos 2000 fez o veículo encarecer ainda mais, já que as peças eram importadas. A manutenção igualmente cara afugentava a clientela.

Com poucas vendas, a fábrica no Brasil operou no máximo com 20% da capacidade. Assim, a Mercedes, que previa fabricar 70 mil Classe A por ano, acabou vendendo 63.402 em seis anos de produção, encerrada em 2005. Hoje é possível encontrar um Classe A no Webmotors por R$ 7 mil. E não é difícil esbarrar com um modelo abandonado nas ruas. Por tudo isso, o Classe A é integrante do seleto grupo com os maiores fracassos da indústria automotiva.


Audi A2 – 1999

Outra flopada com emblema e credibilidade alemãos. Numa bela manhã, os projetistas da Audi decidiram criar um carro feito de… alumínio. O A2 pesava ‘apenas’ 830 quilos, contra 1.250 de modelos do mesmo porte.

Como diriam os especialistas em eficiência, um carro é feito para mover o próprio carro e depois quem está dentro, já que um veículo pesa, em média, 15 vezes mais do que uma pessoa. Então um modelo em alumínio significaria eficiência. De fato, o carro fazia até 33 quilômetros por litro de diesel, um grande número.

O problema é que o alumínio é também muito frágil e qualquer batida simples significava perda total do carro – pra não dizer dos ocupantes também. Dificuldades na manutenção da funilaria também pesavam contra. Para abrir o capô era preciso desmontar parte do carro, um horror.

A produção foi encerrada em 2005, dando prejuízo para a Audi em cerca de 1,4 milhão de euros. Não dá para falar os maiores fracassos da indústria automotiva sem citar o A2.


Delorean DMC – 1981

No começo do texto falamos que mostraríamos alguns modelos que foram varridos para debaixo do tapete tamanha a vergonha para a montadora. Não é o caso do Delorean. Mas ele é, sim, um exemplo de fracasso automotivo. A Delorean desperdiçou uma das maiores oportunidades da história de fazer dinheiro.

O carro tinha atrativos: chassi desenhado pela Lotus, design assinado pelo mestre Giugiaro, além de pertencer a John DeLorean, um ex-executivo da GM com experiência no ramo.

Mas tudo ruiu quando a empresa caiu num fosso de dívidas e viu seu idealizador envolvido em um escândalo de drogas e em outro de desperdício de dinheiro público no Reino Unido. Tudo isso minou a reputação do DMC.

Saiu de linha em 1982, com apenas dois anos de produção e 8.583 unidades fabricadas. A fama mundial do modelo veio em 1985, graças ao filme De Volta para o Futuro. Até hoje é cultuado pelos fãs e seus poucos modelos fabricados são objeto de desejo mundo afora.

Desde 2016, uma empresa americana tenta retomar a produção do DMC-12. Mas tem sido adiado desde então por questões burocracias do órgão de segurança viária do país, que ainda não definiu normas para a produção de veículos artesanais em solo americano.

Recentemente, dois Delorean DMC foram resgatados intactos de uma garagem no sul da Califórnia, EUA.


Tata Nano – 2008

Só a versão topo de linha tinha faróis de neblina, ar condicionado e vidros elétricos, mas preço subia 1.000 dólares

O projeto da indiana Tata era ambicioso: criar um carro de 2.500 dólares em um mercado gigantesco com o indiano, trazendo o caótico público das scooters e motos para dentro de um carro. Com a promessa de gerar milhares de empregos, teve todo o apoio do país para vingar e depois se espalhar pelo mundo, inclusive para o Brasil.

Mas como não deu certo? É que o Nano era uma porcaria! Feito com baixíssima qualidade, de ponta a ponta. A Tata teve que abrir mão de muitos itens para chegar ao preço que prometia. Pra piorar, o carro sofreu com incêndios recorrentes e problemas crônicos na suspensão.

Assim, vendeu em uma década o previsto para um ano: pouco mais de 250 mil unidades, até sair de linha em 2018. Felizmente, acabou não vindo para o Brasil.

Publicada originalmente em

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