Primeiro carro autônomo da história: a ousada (e polêmica) experiência de 1925

Primeiro carro que rodou sem motorista na história atingiu uma carroça no centro de Nova York e depois recebeu acusação de fraude

A ambição do ser humano na indústria automotiva é um carro autônomo e nós podemos provar. A primeira vez que o mundo viu um carro com essa tecnologia foi na década de 20 e aqui você vai se surpreender: não estou falando de 2020, estou falando de 1920! Durante a exibição este “carro autônomo” quase bateu em uma carroça de leite na Quinta Avenida, em Nova York.

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Claro que não estamos falando da mesma tecnologia. O carro autônomo que rodou em 1925 era resultado de uma experiência por controle remoto feito por Francis Houdina. Existem poucos registros sobre isso em um jornal da época do estado da Pensilvânia e recuperado pelo site Prewarcar.

Mesmo que controlado a distância por um humano, a apresentação parece ter sido bem agitada. O veículo parece não ter obedecido todos os comandos enviados à ele por sinais de rádio. O automóvel utilizado no experimento foi um Chandler Touring Car que fez curvas, acelerou e diminuiu a velocidade.

Foto da demonstração com o carro sem motorista que rodou por Nova York em 1925 (Reprodução/Prewarcar.com)

Diz o artigo no jornal:

Nova York, 28 de julho – A Quinta Avenida ganhou ontem uma nova dose de emoção quando um grande automóvel, sem ninguém ao volante, ziguezagueou pelo tráfego intenso da avenida. O carro, que era de fabricação padrão, estava equipado com uma invenção de Francis Houdina, que permite que ele seja controlado por rádio.

O automóvel controlado por rádio teve uma trajetória frenética pela avenida e por pouco não atingiu caminhões, automóveis e uma carroça de leite, acabando por colidir com um sedã. Sem se abalar, retomou sua marcha e seguiu diretamente em direção à vitrine de uma loja de doces. Nesse ponto, Houdina aparentemente perdeu a fé no rádio e saltou para o volante do carro, desviando-o do perigo. A demonstração foi encerrada ali.

O carro é operado por meio da chave telegráfica do transmissor de rádio instalada em um segundo automóvel, que segue imediatamente atrás. Os impulsos emitidos a partir do segundo carro são captados por um receptor instalado no automóvel controlado por rádio e transmitidos a motores elétricos, que acionam os controles do veículo“.

Suspeita de fraude

A colisão com o sedã citado no texto aconteceu na Rua 47, uma das travessas da Quinta Avenida. Apesar do registro e do fato ser acompanhado por vários jornalistas na época, um artigo de outro jornal, em 1927, lançou suspeitas sobre o feito de Houdina.

Diz o artigo do Daily Nonpareil:

Indianápolis, Indiana, 26 de janeiro – Quadno Francis Houdina deixou de pagar certos operários que o auxiliavam na demonstração de um automóvel controlado por rádio em uma recente exposição de rádio realizada aqui, ele deixou a cidade com US$ 600 referentes à demonstração e veio à tona um segredo de que o controle por rádio não passava de um funcionário escondido no painel de controle.

O trabalhador oculto conduzia o carro controlado de acordo com sinais visuais recebidos do carro de controle que o seguia logo atrás. O controle por rádio de qualquer objeto móvel é possível, mas não feito da maneira utilizada pelo Sr. Houdina“.

Persistência dos norte-americanos

Ainda que o feito de Houdina tenha sido uma fraude, carros controlados por controle remoto foram apresentados também em 1926 em Milwaukee e em 1932 na Virgínia. Os registros da época não revelam quem eram as pessoas envolvidas nestas demonstrações.

A GM apresentou um carro controlado por controle remoto em 1939. Era uma ambição da época em várias tentativas feitas nos Estados Unidos para exibir tecnologia que permitiria um carro rodar sem motorista. Foram experimentos que precederam ideias aplicadas hoje.

O primeiro dispositivo realmente com alguma autonomia apareceu em 1948 e foi o controle de cruzeiro, que segue velocidade fixa quando ativado sem que um humano precise acelerar – presente na maioria dos carros atualmente. Esse dispositivo foi criado após dez anos de estudos por um inventor chamado Ralph Teetor. Essa invenção foi usada pela primeira vez nos carros da Chrysler.

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