quinta-feira, 18 de julho de 2024

Última herdeira do Corsa, picape Montana é aposentada. Veja linha do tempo

Segunda geração da picape vende pouco e dará lugar a um novo produto que concorrerá com a Fiat Toro.

A Chevrolet aposentou sua picape pequena Montana após 18 anos no mercado nacional. A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos e foi revelada pelo site Primeira Marcha. Ontem (10/05), a Chevrolet enviou à imprensa um comunicado que a fábrica de São Caetano do Sul (SP) estava sendo preparada para a produção de uma nova picape, que deverá concorrer com a Toro, mas omitiu a informação que a Montana havia saído de linha. Esse novo produto ainda não teve o nome divulgado, uma especulação é que ele possa também chamar Montana.

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picape montana 2021
Chevrolet Montana (Foto: Chevrolet/ Divulgação)

A Montana já havia deixado de ser vendida na Argentina no começo do mês. A Montana era o único produto da Chevrolet em linha ainda baseada na plataforma do Corsa, que estreou no Brasil em 1994. A plataforma do Corsa resume a história da GM no Brasil nos anos 90 e 2000, já que deu origem ao Classic, Corsa picape, Corsa, Celta, Prisma, entre outros.

Perdeu as concorrentes de vista

A plataforma antiga demonstra o quanto a picape Montana se perdeu pelo caminho em relação aos seus concorrentes, principalmente em relação à Fiat Strada, atual líder absoluta de mercado que passou por renovação recente. A Montana é defasada em segurança, em acabamento, em motor, mas não em preço. Vendida apenas com motor 1.4 e com cabine convencional de duas portas, as últimas unidade estão disponíveis por R$ 78.790 – mil reais a mais que a versão semelhante da nova Fiat Strada.

Essa semelhança de preços é de difícil compreensão, já que com motor e plataforma antigos, o projeto da Montana é algo já que não gera custo de projetos para a fabricante. Do outro lado, a Fiat Strada de preço semelhante tem novo desenho, mas também um motor antigo: o 1.4 que equipa também a Fiorino.



A atual Montana era uma segunda geração do produto, mas entre os consumidores é quase consenso que a primeira geração era um produto mais aceito, de melhor acabamento. O visual anterior era baseado na segunda geração do Corsa brasileiro enquanto a atual foi baseada no Agile, carro que teve vida curta e pouco êxito no mercado. Em abril deste ano a Montana vendeu pouco mais de 400 unidades, isso é bem menos do que venderam suas concorrentes Strada (12 mil) e Saveiro (2 mil).

Linha do Tempo

O fim da Montana é o fim não apenas da plataforma do antigo Corsa na Chevrolet brasileira. É o fim das picapes pequenas da marca. Veja abaixo o histórico das picapes pequenas da Chevrolet no Brasil.

1983 (Chevy) – A história das picapes na linha brasileira da Chevrolet começou em 1983, com a Chevy, derivada do Chevette. As ‘picapinhas’, como são conhecidos os veículos de carga derivados de carros pequenos, são criações brasileiras. A Chevy surgiu como uma resposta da norte-americana Chevrolet ao Fiat 147 picape, depois chamada de Fiorino.

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1995 (Picape Corsa) – Após a abertura econômica para veículos, as montadoras nacionais se viram acuadas com seus produtos de qualidade inferior. Enquanto o mundo já desfrutava de versões modernas de veículos como o Toyota Corolla e o Honda Civic, o Brasil discutia a volta do Fusca. As picapes pequenas estavam tranquilas, já que no exterior não existiam similares a elas. Porém, surfaram na onda da renovação quando as montadoras resolveram trocar suas antigas linhas por modelos mais modernos. Foi o caso da GM, que trouxe o Corsa da Europa. Em 1995 o Corsa ganhou sua versão picape, projeto nacional que tinha como concorrentes a Fiat Strada, a VW Saveiro e a Ford Courier.

2003 (Primeira geração da Montana) – Foi a década em que a GM renovou sua linha e pouco acertou, tanto que perdeu participação de mercado. A Montana, no entanto, foi uma exceção. O carro era derivado da segunda geração do Corsa brasileiro e tinha sua posição de respeito no mercado, duelando com as mesmas Strada, Saveiro e Courier.

2010 (Segunda geração da Montana) – Era uma nova geração, mas não era. Afinal a nova Montana recebeu mudanças estéticas baseada no Agile, um carro pouco expressivo no Brasil, que utilizava base e motores da mesma Picape Corsa, lá de 1995. Ficou 11 anos no mercado, mas não brilhou como a primeira geração. Essa geração viu a Fiat Strada acelerar na dianteira até perdê-la de vista e assistiu também, em 2013, a aposentadoria da Ford Courier.

2021 – A Montana acabou? A picapinha sim. Resta saber se o novo produto da Chevrolet não receberá o mesmo nome e dar novo sentido à marca.

Publicada originalmente em

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