
As montadoras tradicionais de veículos instaladas no Brasil ganharam uma queda de braço contra a Byd sobre uma isenção tributária que o Governo havia concedido no ano passado para que a chinesa montasse seus veículos no Brasil. O benefício venceu em 31 de janeiro e não foi renovado, conforme queria a Anfavea, a associação dos fabricantes.
Se você está por fora do assunto, um resumo: A Byd comprou a antiga fábrica da Ford na Bahia e passou a montar alguns de seus veículos elétricos lá no ano passado. Só que essa montagem feita pela Byd é apenas uma montagem e não uma fabricação como fazem as outras montadoras já instaladas no Brasil. Nós explicamos isso com mais detalhes aqui.
Ao invés de produzir o veículo desde o início e contar com uma rede nacional de fornecedores de peças e acabamento, a Byd passou a trazer da China os veículos desmontados. Na fábrica baiana os funcionários apenas retiram das caixa e montam, sem que haja um processo completo de fabricação. A associação das montadoras argumentou que não fazia sentido o governo manter um benefício de redução de imposto para a fabricação de veículos neste sistema, já que as condições continuam sendo desiguais, como eram as importações dos veículos já prontos.
O que aconteceu agora é que o governo brasileiro precisava renovar o benefício que venceu em 31 de janeiro e isso não aconteceu. Com isso voltaram a ser cobradas as alíquotas de 16% para produtos que chegam completamente desmontados e 18% para produtos semidesmontados. A Byd não se manifestou sobre o assunto, mas em agosto do ano passado a marca criticou a pressão da Anfavea:
“A reação da Anfavea [associação dos fabricantes] e seus associados, infelizmente, não é novidade. Trata-se do velho roteiro de sempre: diante de qualquer sinal de abertura de mercado ou inovação, surgem as ameaças de demissões em massa, fechamento de fábricas e o fim do mundo como conhecemos”.



