Romi-Isetta foi o primeiro carro produzido em série no Brasil há 70 anos

Produção do carro ganhou força com os incentivos do governo brasileiro na década de 50 e foi perdendo importância com o início de produção do Fusca no final da mesma década

O primeiro carro produzido em série no Brasil era um projeto italiano licenciado para uma indústria do interior de São Paulo e chegou ao mercado há quase 70 anos. A Romi-Isetta foi um veículo para apenas dois passageiros, chegou a ter motor BMW e ficou no mercado por apenas cinco anos.

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O Isetta foi concebido pela italiana Iso Automotoveicoli em 1953 em um período pós-guerra mundial onde a indústria do país recomeçava tudo praticamente do zero. A chegada ao Brasil foi pelas mãos do empresário Américo Romi.

Largada da indústria automobilística nacional

O lançamento da Isetta no Brasil é parte da história de uma corrida industrial da década de 50 para construir um carro nacional. Foi em 1956 que o presidente Juscelino Kubitschek anunciou planos do governo para impulsionar a indústria automotiva local.

Exemplar da Romi-Isetta preservado no acervo da Romi em fotos de 2003 (Paulo Hilário Martim/Romi)

A Romi é uma indústria quase centenária que existe até hoje e atua no ramo metalúrgico. A ideia de construir a Isetta no Brasil veio pelo enteado do dono da empresa que estava lendo uma revista italiana e viu a propaganda do modelo. No mesmo ano eles decidiram trazer ao Brasil dois exemplares da Itália para estudar o projeto. Dois modelos brancos “Iso-Isetta” chegaram ao país.

Para os padrões industriais da época, a Isetta era relativamente simples de fabricar. Era uma estrutura para duas pessoas sustentada por três rodas e com uma única porta na frente.

Licenciamento

O dono da Romi e seu enteado foram para a Itália e negociaram com a fabricante em junho de 1955. Ficou definido que para cada unidade vendida a Romi repassaria 3% do valor para a Iso. A italiana queria se capitalizar porque vivia um momento pós-guerra e aceitou o acordo. Enviou ao Brasil dois funcionários para supervisionar produção e testes. Nascia a Romi-Isetta.

Do acordo à produção dos primeiros veículos passou apenas um ano. As primeiras Romi-Isettas estavam prontas em 30 de junho de 1956 e o público conheceu o produto oficialmente em 5 de setembro do mesmo ano em um desfile em São Paulo com 16 exemplares. Esse desfile partiu da rua Marquês de Itu, passou pelo Largo do Arouche, Praça da República e foi finalizado na Rua Pio XII, na Bela Vista, onde recebeu a benção do cardeal da época. Depois seguiu até a Avenida Rio Branco para um evento com o então governador Jânio Quadros.

Dados técnicos da Romi-Isetta

A distância entre eixos da Romi-Isetta é de 1,5 metro. O motor dos veículos fabricados era traseiro, de dois tempos, com um cilindro e refrigerado a ar. Desenvolvia 9,5cv de potência. Tinha câmbio de quatro marchas que ficava na lateral, onde deveria ser a porta de um veículo convencional. A velocidade máxima com esse motor era de 85 km/h.

Esse motor de dois tempos equipou os modelos fabricados entre 1956 e 1959, quando foi lançado o modelo chamado 300 deluxe, com motor 4 tempos da BMW. Na Alemanha a BMW tinha a licença para fabricar o veículo e foi lá que a Romi encontrou soluções para modernizar o modelo. O motor de quatro tempos desenvolvia 13cv.

Fim da Romi-Isetta

Foto da Romi-Isetta em 1957 do acervo da Fundação Romi, colorizada em IA por Turboway

O fim da Romi-Isetta foi definido no mesmo contexto de seu nascimento. O governo da época entendeu que os benefícios para a produção automobilística local só faria sentido para carros que transportassem pelo menos quatro pessoas, o que não era o caso deste veículo. Assim, sem incentivo, a Romi-Isetta custaria muito próximo do que custava o Fusca, que começou a ser produzido em janeiro de 1959 e logo assumiu o posto de carro mais vendido do Brasil.

Essa foi a curta e marcante história da Romi-Isetta. Américo Romi faleceu em 1959, quando a Romi-Isetta ainda estava em plena produção. E a Iso-Isetta, a original feita na Itália, saiu de linha em 1955, antes mesmo da versão brasileira chegar ao mercado. Perdeu terreno para modelos maiores e mais robustos, como o Fiat 500.

A Isetta ficou mais conhecida por sua versão alemã, produzida sob licença até 1962. Chegaram ao mercado mais de 160 mil BMW-Isetta. A versão que durou mais no mercado foi a inglesa, descontinuada em 1964. Essa versão também tinha motor BMW e era sublicenciada.

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