sexta-feira, 19 de julho de 2024

Gasolina com 35% de etanol: o que muda para o carro?

Mudança vem por questões ambientais e econômicas, mas será que estão pensando no seu carro?

Está tramitando no Congresso Nacional a possibilidade de aumento da quantidade de etanol na mistura da gasolina. Se aprovada, a proposta tornará padrão a gasolina com 35% de etanol. Vamos explicar o que isso pode causar no carro. Nem todo modelo está preparado para a troca.

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A nossa gasolina não é totalmente gasolina. A cada litro do combustível, são 725 ml de gasolina de fato e 275 ml de etanol. Desde 2015 é assim. A dose de etanol vem aumentando com o tempo, por uma série de questões.

Gasolina com 35% de etanol
Gasolina com 35% de etanol: Congresso Nacional avalia mudança em breve

Uma delas é para baratear o preço do litro, já que o etanol é mais barato. Outro motivo é para reduzir a dependência da importação da gasolina, muito suscetível às variações do dólar e do volátil preço do barril do petróleo. Há também o componente ambiental. E, por fim, um lobby das empresas de cana-de-açúcar.

Explicando ponto a ponto. A indústria açucareira ganha mais ao produzir mais e vender mais. É vantagem para o setor o aumento do consumo. Mas a indústria é, também, uma saída para as metas ambientais.

O etanol é muito mais mais limpo, e é considerado um combustível verde. E o Brasil tem metas ambientais a cumprir. Aumentar o uso de etanol significa descarbonizar o combustível. A estimativa é que 3 milhões de toneladas de CO2 deixem de ser emitidas a cada ano com o aumento do etanol na gasolina.

Economicamente, o país precisa reduzir a dependência da importação da gasolina. Aumentar o etanol em 6,5 pontos percentuais é reduzir o consumo de gasolina pura. No fim das contas, o preço final ao consumidor pode cair, embora o etanol seja menos energético, ou seja, renda menor autonomia ao veículo.

Tá, mas o que muda para o carro?

O problema é que ainda não se sabe ao certo o que a mudança trará para a totalidade da frota brasileira. É certo que os carros flex, maioria nas ruas, não sofrerão qualquer tipo de problema. Os carros estão preparados para qualquer mistura e vão lidar bem.

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Por outro lado, nem toda a frota brasileira é dotada de motores multicombustível. Existem os carros importados que só aceitam gasolina e existem os carros antigos nacionais, de uma época anterior aos motores flex, e que são ainda mais sensíveis ao etanol.

Será preciso fazer testes de rodagem. Pegar um carro a gasolina e sair rodando com ele com o a gasolina 35% com etanol e tirar as conclusões. Muito provavelmente, estes testes não ficarão concluídos até a decisão do Congresso Nacional.

O que deve ocorrer é o mesmo que já aconteceu em 2015, quando o percentual de etanol subiu para os atuais 27,5%. Daquela vez, a Anfavea, associação das montadoras, recomendou que motoristas de carros a gasolina só abastecessem com combustível podium, mais puro. Depois, com o resultado dos testes, liberou todos a usarem a gasolina com mais etanol.

Outra mudança será na relação de preços entre a gasolina e o etanol puro. A conta dos 60% muito provavelmente mudará, já que a autonomia dos veículos também sofrerá alteração. Certo mesmo é que a mudança na conta aproximará os dois preços. E se continuar assim, um dia os combustíveis serão muito próximos. Quem sabe virá por aí a gasolina 40% etanol, ou até mesmo o etanol 40% gasolina?

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