quinta-feira, 13 de junho de 2024

Quem era Carlos Alberto de Oliveira Andrade, o fundador da Caoa?

Carlos Alberto de Oliveira Andrade tinha 77 anos e morreu em São Paulo
morre o fundador da caoa

Morreu na manhã deste sábado (14), em São Paulo, o fundador do grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, aos 77 anos. Segundo a família, ele estava com a saúde debilitada por causa de um tratamento de saúde. A causa exata da morte não foi divulgada.

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O médico Carlos Alberto ganhou notoriedade como empreendedor. Começou a vender carros em Campina Grande/PB, sua terra natal, até se tornar um dos maiores empresários do mercado automobilístico.

Um Landau por uma concessionária

Segundo Caoa mesmo contava, tudo começou em 1979, quando o então cirurgião geral comprou um Ford Landau. A concessionária Ford de Campina Grande faliu antes de entregar o modelo e ele acabou adquirindo a unidade como forma de compensação.

Em apenas seis anos, se tornava o maior revendedor Ford do país, chegando a São Paulo em 1985. Para tanto, não recusava negócio. Aceitava qualquer tipo de proposta, com entradas malucas e prazos fora da realidade.

Ser um revendedor Ford era pouco. Em 1992 aproveitou a abertura para importados e trouxe os primeiros Renault ao país. Em menos de 3 anos, a francesa se tornaria a maior vendedora de importados, alcançando o 5º posto em vendas no Brasil – atrás apenas das então inalcançáveis Volkswagen, GM, Ford e Fiat.

Caoa: Midas dos negócios

Existe a lenda do Rei Midas, aquele que transformava em ouro tudo o que tocava. Caoa foi quase isso. As marcas com que ele se associava fatalmente se beneficiavam. Foi assim com a japonesa Subaru, que não teve sucesso com seu primeiro importador. Assim que Caoa assumiu os negócios, em 1998, estes triplicaram.

E o que dizer da Hyundai? Dois revendedores tentaram trazer a marca ao país, ainda cético com modelos coreanos. Fracassaram. Pois em 1999 Caoa assumiu a importação e a marca logo chegou à liderança de vendas no segmento de SUVs, com a Tucson, e é o sucesso que é hoje.

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Caoa ajudou a criar um gosto tão grande do brasileiro pela Hyundai, que a coreana decidiu nacionalizar a produção. Após acordo, ficou delimitado que o empresário paraibano ficaria com a operação de alguns importados e, posteriormente, com a autorização de montar alguns modelos Hyundai. Caoa investiu R$ 1,2 bi e ergueu a fábrica de Anápolis/GO, em 2007.

Em 2012, ganhou um prêmio de revendedor mundial da Hyundai, derrotando outros 178 grupos espalhados pelo globo. Foi a primeira vez que um revendedor de fora da Europa levou a premiação.

Um de seus grandes atos como presidente da empresa foi adquirir 50% da quase derrotada Chery. A empresa chinesa estava mal das pernas, bem longe dos objetivos que a fizeram se instalar no Brasil. Caoa viu um bom negócio e transformou a chinesa em uma das 10 marcas mais vendidas do país.

Caoa deixou a presidência do grupo em 2017, atuando a partir de então como presidente do conselho de administração. Segundo a empresa informou ao jornal Estadão logo após a morte de Caoa, o grupo continuará a ser gerido pelos atuais executivos.

Polêmicas

Em 2015, o grupo Hyundai Caoa assinou um Termo de Ajustamento de Conduta e pagou R$ 1,6 milhão por propaganda enganosa. Segundo o MP, foram 65 casos diferentes, desde 2011. Em uma das propagandas que induzia o comprador ao erro, a Hyundai se dizia a quarta maior fabricante de carros do mundo, sendo que ela era, à época, o quarto maior grupo da Coréia do Sul, somadas às operações da Kia. Veja a lista completa.

Outro caso polêmico envolvia o Veloster. A empresa o vendia como um modelo potente, mas acabou acusada de não entregar tudo isso. Nos EUA ele tinha versões turbo de 204 cavalos, mas aqui chegou apenas a versão 1.6 aspirada, de 130 cavalos, o mesmo que uma Tracker 1.2 turbo. A imagem do Veloster ficou tão arranhada – com direito a apelido de Mancoster – que a empresa decidiu parar de importá-lo ao Brasil.

Em 2016, a empresa chegou a ser acusada pela Operação Zelotes de pagar propina ao ex-ministro Antonio Palocci, em 2010, em troca da aprovação de uma Medida Provisória, mas acabou inocentada em março de 2021.

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