domingo, 21 de abril de 2024

O que é o carro ‘chocolate’ que desafia as autoridades no México?

Número de veículos que entram ilegalmente no México representa 1/3 de todo o mercado local.

“Vendo Camaro impecável, com baixa quilometragem, recém chegado dos EUA”. Não fosse a última frase, seria um anúncio como outro. Mas é assim que boa parte do mercado automotivo funciona no México. Muitos veículos atravessam a fronteira americana de forma ilegal e acabam virando anúncio. Os chamados carros ‘chocolate’ são rotina e viraram um desafio para as autoridades locais.

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O que é o carro 'chocolate'
Registro de carro chocolate: fácil e rápido

Mas por que carro chocolate? A referência é ao chocolate suíço, iguaria rara no mercado. É como se os veículos americanos fossem um item importante na gôndola de importados do supermercado. Mas de glamour é só o nome mesmo.

Os veículos normalmente são adquiridos nos Estados Unidos a preços baixos, por serem usados, e são atravessados até o México sem pagar nenhum imposto de importação. Mas como que se atravessa um carro pela fronteira mais vigiada do mundo? Simples. A fronteira só é vigiada em um sentido, para quem tenta entrar nos EUA. No outro, o uso é livre de embaraços.

E assim, passando a boiada, milhares e milhares de modelos fabricados nos EUA acabam povoando as ruas mexicanas. Apenas uma minoria recebe placas falsas. Boa parte trafega sem placas ou mantém a identificação americana. A polícia há anos convive ‘bem’ com o assunto e os motoristas não são multados ou guinchados. Mas a qualquer momento eles podem ter que pagar uma propina aqui ou ali. E se alguém roubar o veículo, nunca mais se recupera. Existe, inclusive um mercado de peças paralelo só para abastecer o mercado de carros chocolate, mas isso é um outo assunto.

O que é o carro 'chocolate'
Carros chocolate à venda no Mexico. Em primeiro plano, um modelo da Pontiac, marca americana que não existe desde 2010.

Admitindo a falência na fiscalização, o governo mexicano traçou outra estratégia: uma espécie de anistia. Basta o dono comparecer a um posto e fazer o cadastro sem nem sair do carro. E pagar uma taxa, é claro, de 2.500 pesos, cerca de R$ 650. O governo pretende arrecadar assim R$ 11 bilhões e dar um alívio nos cofres. Com mais de 550 mil adesões, a campanha de regularização terminaria em 20 de setembro mas foi prorrogada até 31 de dezembro.

Já as fabricantes de veículos protestaram contra o perdão do governo. Os chocolate tem sido a maior pedra no sapato das montadoras. Suspeita-se que 1/3 dos veículos em circulação no país seja irregular, o que daria impressionantes 18 milhões de modelos. Se todo mexicano comprasse carro nacional, os lucros dos fabricantes seria maior, é claro. Mas o preço seria igualmente proibitivo, é bom lembrar.

Um Chevrolet Camaro foi um dos primeiros veículos regularizados após programa de anistia

Nessa equação, pior para o Brasil. Num mercado que premia o ilegal e deixa o que paga imposto e gera empregos em segundo plano, imagina aonde fica a prioridade para o importado. Fomos para o final da fila.

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