Quando Fiat e Peugeot se uniram, em 2021, a nova empresa somou 14 marcas em seu portfólio. Isso parecia vantajoso no começo para uma empresa que buscava aumentar seus lucros em uma Europa sendo invadida por concorrentes chineses, mas agora a empresa repensou seus planos: vai concentrar seus investimentos em Fiat, Ram, Peugeot e Jipe.

A decisão foi revelada pela agência Reuters e é do CEO do grupo, Antonio Filosa, que comandou anteriormente o grupo Fiat na América do Sul. Antonio é um italiano de 52 anos que morou por anos no Brasil e também tem cidadania brasileira. E isso é importante por qual motivo?
Antonio assumiu o cargo de liderança do grupo após a saída de Carlos Tavares. Carlos comandou os primeiros anos de fusão entre Peugeot e Fiat, mas acabou mergulhando a empresa em uma crise e pediu para sair do cargo no ano passado. Carlos era indicado pelos acionistas da Peugeot e o acordo de fusão entre os grupos estabelece que o comando é alternado. Assim, quando Antonio sair do comando ele será substituído por alguém indicado novamente pela Peugeot.
Filosa é um dos responsáveis pela identidade própria que a Fiat criou no Brasil, desenvolvendo produtos diferentes da matriz italiana. E isso fez com que a marca atingisse a liderança e uma rentabilidade que a empresa já não tem na Europa. Já Carlos Tavares estava fazendo o caminho inverso: planejou unificar as linhas novamente, o que resultou na criação do Panda que chegará ao Brasil como novo Argo.
Stellantis se enrolou com muitas marcas
Ter 14 marcas parece que acabou mais atrapalhando do que ajudando o grupo. Além de Fiat, Peugeot, Ram e Jeep, a Stellantis é dona de Citroën, DS, Alfa Romeo, Maserati, Vauxhall, Chrysler, Lancia, Dodge, Opel e Abarth.
Com a nova decisão a Stellantis indica uma mudança de rumo. Antonio vai disseminar nos outros mercados a mesma estratégia que ele desenvolveu no Brasil. Assim, a Opel e Citroën, que eram fortes na Europa e estão perdendo terreno, também ficarão em segundo plano dentro da Stellantis.
Segundo a Reuters, as 10 marcas restantes não vão acabar. Elas devem ficar como beneficiárias das tecnologias desenvolvidas pelas outras quatro. Elas deixariam de ter protagonismo no desenvolvimento de novos produtos, o que pode fazer sentido em marcas como Lancia e Vauxhall, mas pode gerar questionamentos sobre o futuro de Alfa Romeo e Maserati, por exemplo, que atendem um mercado de luxo em diferentes níveis.


