sexta-feira, 12 de abril de 2024
Fiat
Argo Trekking

Como é o Argo Trekking? Vale a pena comprar?

Veículo legal de dirigir e com ótimo acabamento interno que não deixa saudades do Palio. É um offroad de faz de conta, mas a altura em relação ao solo quebra muito galho nas irregulares ruas brasileiras.
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Como é o Argo Trekking? Vale a pena comprar?

Versão "aventureira" do Argo é cheia de detalhes estéticos. Tem bom custo-benefício, mas a Fiat deixa de fora itens banais como rodas de liga-leve e câmera de ré (e cobra R$ 4 mil a mais por eles).

Comprei em 2020 um Argo Trekking e isso foi resultado de uma satisfação que tiver anteriormente com um Argo 1.0, que foi avaliado aqui no Turboway. Uma coisa que me incomodava muito no antigo Argo é que eu achava ele muito baixo, raspava em qualquer obstáculo. Veja que o problema já começava na esquina de casa, já que moro em uma rua daquelas com uma “senhora” valeta no cruzamento. Já adianto que o Argo Trekking resolve esse problema, que é o famoso “off-road” urbano.

Existem duas versões do Argo Trekking e a diferença é o motor e a transmissão. O carro desta avaliação é o Argo Trekking 1.3 manual (2020), o outro Argo Trekking disponível no mercado é o 1.8 automático, que usa o mesmo motor que a Jeep usa no Renegade.

Argo Trekking 1.3 (foto: Renato Fonseca/ Turboway)

O Argo Trekking 1.3 desenvolve bem na estrada e tem boa arrancada em cruzamentos na cidade. No uso misto, tenho feito 15 km/l na gasolina, mas tomando só rodovia como referência, o carro faz 17 km/l. E como é o Argo Trekking?

Dados do computador de bordo do Argo Trekking 1.3: 15 km/l na média entre cidade e rodovias (foto: Renato Fonseca/ Turboway)

Detalhes

Entre o Argo 1.3 convencional e o Argo Trekking 1.3 existem diferenças estéticas. O Trekking possui bordas em plástico preto nas caixas de rodas, o logo Fiat negro, bordas negras nas laterais, pintura bicolor com teto e retrovisores na cor preta, acabamento interno também preto e o rack no teto, além de adesivos que copiam o visual “Trailhawk” dos carros da Jeep. Eu, particularmente, não acho das melhores ideias encher o carro de adesivos, principalmente a faixa preta no capô, mas também não tive o trabalho de retirá-lo.

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A suspensão mais alta (tem 21 centímetros do solo) é um alívio para quem anda com ruas com obstáculos e buracos. Na estrada de terra essa altura também ajuda, mas por óbvio o carro não é um offroad de verdade. Serve para quem usa o carro em uma estrada de terra esburacada, mas não enfrenta um atoleiro. Felizmente a Fiat desistiu de encher os seus “modelos aventureiros” com acessórios que eram pura fantasia, como o quebra-mato, por exemplo.

O pneu do Argo Trekking é o 205/60 R15, de uso misto, uma boa escolha da montadora. Porém, o carro não vem com roda liga-leve de série, o que custa quase R$ 2 mil a mais para o comprador. Uma pena a roda constar como acessório, já que concorrentes agregam a roda como item de série. Aliás, os concorrentes diretos do Trekking são o Ka Freestyle (vendido até 2020) e o HB20X.

Se compararmos os veículos zero km, em setembro de 2021 o modelo da Hyundai custa R$ 2 mil a menos que o da Fiat (R$ 79 mil vs R$ 81 mil). Para comparativo, em 2019 comprei o veículo por R$ 62 mil e o que mudou de lá para cá: a Fiat mudou os adesivos, mudou o logo da grade dianteira, acrescentou controle de estabilidade e tração e uma inflação acima do normal.

Custo-benefício

Na parte mecânica, temos um motor 1.3 que responde bem (109cv / 6250 rpm), ainda que fique devendo ao que o 1.0 turbo da concorrência oferece. A linha Argo me agrada muito pelo custo-benefício. O motor é econômico e tenho feito as revisões nas concessionárias pagando um valor razoável. A revisão dos 50 mil km, por exemplo, sai por R$ 550 na concessionária Buono, em Guaratinguetá (SP), que é uma concessionária de confiança. Como já alertei em avaliações anteriores, o duro é achar em quem confiar.

Ainda quando tinha um Punto, passei pelo grande desprazer de conhecer os serviços da Itavema Fiat de São José dos Campos (que já não existe mais). O veículo entrou com um barulho no volante e saiu todo desalinhado, sujo e com o mesmo barulho no volante. Paguei posteriormente para um particular fazer o serviço que a concessionária não fez e cobrou como se tivesse feito. Na época, ao reclamar, o responsável pela oficina não trouxe qualquer solução. A concessionária fechou dois anos depois e podemos ver que não foi a toa.

Quais acessórios ele tem?

O Argo 1.3 Trekking tem central multimídia UConnect de 7 polegadas, a famosa telinha flutuante que espelha Android e Apple Carplay. O acabamento dos bancos tem a marca “Trekking”, mas não apresenta nenhuma evolução de conforto em relação ao banco das versões convencionais.

O carro da avaliação não possui controle de estabilidade e tração, que foram adotados como itens de série na linha 2021. Não havia sentido algum a Fiat privar o Argo destes itens. Felizmente corrigiu isso e infelizmente adquiri a versão antes desta mudança. São itens de segurança, na dirigibilidade o motorista não vai notar qualquer diferença.

Tem ar-condicionado analógico, vidro elétrico nas quatro portas, trava elétrica, chave canivete, duas saídas USB (uma para os passageiros do banco traseiro) e acabamento interno em tecido preto. O preto como cor dominante no interior dá um acabamento mais bonito ao veículo. O sistema de som dos Argos é um ponto forte, com o controle do rádio muito simples, em botões atrás do volante – solução que a Fiat trouxe dos Jeep.

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Argo Trekking 1.3 (foto: Renato Fonseca/ Turboway)

Vale a pena comprar?

O Argo é um bom produto da Fiat. Entre o 1.3 convencional e o Trekking, me agrada muito mais esse último pela suspensão mais acertada e a liberdade de poder passar pelos obstáculos sem ter que ficar preocupado em bater o fundo do veículo.

Só que pelo preço que é pedido por ele, vale dar uma olhadinha também no HB20X. O Argo Trekking 1.3 não tem roda de liga-leve e câmera de ré de série, itens que o concorrente traz. Por esses dois acessórios a Fiat pede R$ 4200 a mais. Também não tem bancos de couro, chave presencial e ar-condicionado digital. Por esses últimos itens, mais a roda e a câmera de ré a Fiat pede R$ 7 mil.

Se você se interessou pelo Argo Trekking, a melhor opção hoje é buscar um usado. O Trekking foi lançado na versão 2020 (é o carro desta avaliação), então você vai encontrar modelos deste ano por R$ 65 mil. Do carro 2020 para o 2022 foram pequenas mudanças em adesivos e adicionado o controle de tração e estabilidade. Do usado para o novo são R$ 16 mil, uma diferença considerável para o mesmo carro.

Embora estejamos falando do Trekking 1.3, posso compartilhar também informações sobre a versão 1.8. De positivo, ela traz o câmbio automático de 6 velocidades e o carro é um foguete na estrada, já que usa o mesmo motor do Jeep Renegade – que é mais pesado. De negativo, o alto consumo de combustível e o preço das revisões, que varia de acordo com o motor e não com o modelo nas oficinas das concessionárias.

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