Saveiro chega aos 44 anos com versão básica e custando mais de R$ 110 mil. Qual é o público da picape?

Modelo tem público cativo no mercado corporativo, mas suas versões para o público geral devem ser aposentadas com a chegada da Tukan

A Volkswagen coloca em breve no mercado a sua nova picape Tukan, que busca guerra com a Fiat Strada e parte do público da Fiat Toro, mas ainda há Saveiro no mercado, contrariando quem esperava sua aposentadoria após 44 anos, completados em setembro. A Saveiro segue no mercado como última “descendente viva” da família Gol, mas o clima de saudosismo para por aí.

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Aos 44 a Saveiro não apenas continuou com suas quatro versões (duas específicas para o trabalho e duas vendidas como carros para o dia-a-dia) como acaba de acrescentar uma versão exclusiva à etanol por R$ 111.490. Se a mais básica chega a isso, quanto custa a mais cara?

A Saveiro Extreme, de cabine dupla, sai por R$ 138 mil, o que deve perder sentido com a chegada da Tukan em breve. Mas vamos falar sobre a Saveiro mais barata, a de R$ 111.490. O valor é mais de R$ 4 mil abaixo do que ela custava na linha 2026 porque, na versão atual, ela é movida apenas a etanol, o que enquadra a Saveiro no programa de Carro Sustentável do Governo Federal e, por isso, recebe isenção de IPI. Ainda assim, é um valor muito alto pelo que o veículo oferece.

Nas redes sociais, em qualquer post sobre o lançamento desta Saveiro, você vai encontrar comentários de pessoas perguntando quem compra tal veículo. Pois ela vende e vende bem. Somou quase 68 mil vendas no ano passado, e quase todas as vendas são no canal corporativo, no qual só empresas compram.

Quem compra uma Saveiro de R$ 111 mil?

A Saveiro atual tem um público certo: querem ela para o trabalho. Este jornalista que aqui escreve convive com familiares que atuam no ramo da construção civil (não compram Saveiros, eles são funcionários de empresas que compram) e pode dizer que poucos modelos no mercado atendem tão bem a esse ramo como esta picape. Ainda que tenha um interior tosco, todo de plástico, muitas vezes nem esse acabamento é suficiente para evitar um processo de destruição diário.

Ainda que o engenheiro responsável tenha colocado um aviso para que quem pegar o carro o devolva nas mesmas condições e que, se for carregar peças de madeira, o teto deva ser protegido, a chance de isso ser interpretado em bom português por quem está conduzindo o carro é de uma em cem. Saveiro e Strada são poucos representantes da frota nacional que encaram este desafio. Por isso, muitas críticas ao acabamento espartano não fazem muito sentido para a Volkswagen. 

Com motor 1.6 (EA211), 116 cv de potência e 16,1 kgfm de torque, a Saveiro Robust tem câmbio manual e só aceita etanol. É o motor velho de guerra que a família Gol carrega há mais de 10 anos. Confiável, de mecânica acessível, mas não pode ser chamado de econômico. A Volks aponta um consumo de 8,1 km/l na cidade e 8,9 km/l na estrada.

De “luxo”, o veículo traz vidros elétricos e ar-condicionado. Aliás, a Saveiro foi o último carro zero brasileiro a adotar esse item como equipamento de série. Faria sentido em qualquer outro lugar do mundo, não em um país com clima quente como o nosso. Resolvido o problema com o ar, a Saveiro continua na guerra com as versões mais baratas da Fiat Strada. Até quando, não sabemos, mas o que sabemos é que ela segue em linha custando o preço de um VW Tera por uma única razão: ninguém se propôs, até agora, a lançar um modelo simples que atenda às funções comerciais mais básicas que ainda existem.

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